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Num instante



" Quando penso em vc, 

fecho os olhos de saudade. "

O amor


"É difícil para os indecisos.
É assustador para os medrosos.
Avassalador para os apaixonados!
Mas, os vencedores no amor são os fortes.
Os que sabem o que querem e querem o que têm!
Sonhar um sonho a dois,
e nunca desistir da busca de ser feliz,
é para poucos!!"

A chuva chove


"A chuva chove mansamente... como um sono
Que tranqüilize, pacifique, resserene...
A chuva chove mansamente...Que abandono!
A chuva é música de um poema de Verlaine...

E vem-me o sono de uma véspera solene,
Em certo paço, já sem data e já sem dono...
Véspera triste como a noite, que envenene
A alma, evocando coisas líricas de outono...

Num velho paço, muito longe, em terra estranha,
Com muita névoa pelos ombros da montanha...
Paços de imensos corredores espectrais,

Onde murmuram, velhos órgãos, árias mortas,
Enquanto o vento, estrepitando pelas portas."

{imagem: Kemal Kamil Akca}

Noções


"Entre mim e mim, há vastidões bastantes
para a navegação dos meus desejos afligidos.
Descem pela água minhas naves revestidas de espelhos.
Cada lâmina arrisca um olhar, e investiga o elemento que a atinge.
Mas, nesta aventura do sonho exposto Á correnteza,
só recolho o gosto infinito das respostas que não se encontram.
Virei-me sobre a minha própria experiência, e contemplei-a.
Minha virtude era esta errância por mares contraditórios,
e este abandono para além da felicidade e da beleza.
Ó meu Deus, isto é uma alma:
qualquer coisa que flutua sobre este corpo efêmer e precário,
como o vento largo do oceano sobre a areia passiva e inúmera..."
{imagem: Tomas Rücker}

Marcas



"Há pessoas que nos falam e nem as escutamos,
há pessoas que nos ferem e nem cicatrizes deixam
mas há pessoas que simplesmente aparecem em nossas vidas
e nos marcam para sempre."

Assim venho sendo marcada por sua serena presença!
{imagem: Ricard Glover}

É preciso não esquecer nada


"É preciso não esquecer nada:
nem a torneira aberta nem o fogo aceso,
nem o sorriso para os infelizes
nem a oração de cada instante.

É preciso não esquecer de ver a nova borboleta
nem o céu de sempre.

O que é preciso é esquecer o nosso rosto,
o nosso nome, o som da nossa voz, o ritmo do
nosso pulso.

O que é preciso esquecer é o dia carregado de atos,
a idéia de recompensa e de glória.
O que é preciso é ser como se já não fôssemos,
vigiados pelos próprios olhos
severos conosco, pois o resto não nos pertence."
{Fotografia: John Harper}

Figurinhas


"Onde está meu quintal
amarelo e encarnado,
com meninos brincado
de chicote-queimado,
com cigarra nos troncos
e formigas no chão,
e muitas conchas brancas
dentro da minha mão?

E Júlia e Maria
e Amélia onde estão?

Onde está meu anel
e o banquinho quadrado
e o sabiá na mangueira
e o gato no telhado?

- e a moringa de barro,
e o cheiro do alvo pão?
E tua voz, Pedrina,
sobre meu coração?
Em que altos balanços
se balançarão?..."

Epigrama nº 9

O vento voa,
a noite toda se atordoa,
a folha cai.
Haverá mesmo algum pensamento
sobre essa noite? Sobre esse vento?
Sobre essa folha que se vai?

{imagem: Selina De Maeyer}

Eternidade inútil



"Até morrer estarei enamorada
de coisas impossíveis:

tudo que invento, apenas,
e dura menos que eu,
que chega e passa.

Não chorarei minha triste brevidade:
unicamente a alheia,
a esperança plantada em tristes dunas,
em vento, em nuvens, n´água.

A pronta decadência,
a fuga súbita
de cada coisa amada.

O amor sozinho vagava.
Sem mais nada além de mim...
numa eternidade inútil."
{imagem: Lev Daichil}

Papéis



"Há coisas que me emocionam, sem nenhuma razão clara: os grandes salões com cheiro de casa fechada. Os jarros de porcelana que não foram comprados agora, que ninguém sabe quem comprou, e os empregados limpam, displicentes, com um pano velho, sem saberem que valor têm. Limpam como desde o princípio do mundo, sem ninguém mandar, sem ninguém ver... Os jarros que os criados mesmo assim amam, por hábito, e não desejam quebrar.

Também a luz das clarabóias. É uma luz que me eletriza, que me deixa completamente lírica, arrebatada para um outro mundo. Como se eu entrasse num ovo mágico, branco e fosco, esmerilado, e me tornasse invisível, e pudesse pensar.

E os lugares com eco, meu amor de menina, entre as cigarras.

E as casas pintadas de azul: os chalés rendados. As varandas.

Os dias de muita chuva, com trovões abafados, e ruas desertas.

Talvez Deus se resolva a destruir o mundo.

O mar tempestuoso.

A solidão, com os cães ladrando, longe, vendo a Morte.

Cheiro de terra molhada, com as cores das flores e a memória dos ossos.

Casas coloniais, baixas, todas fechadas. Ah! assombrações."
{imagem: Nataliya Ignatenko}

Inscrição na areia


"O meu amor não tem importância nenhuma.
Não tem o peso nem de uma rosa de espuma!
Desfolha-se por quem?
Para quem se perfuma?
O meu amor não temimportância nenhuma."
{imagem: autoria desconhecida}

Canção do caminho


"Por aqui vou sem programa,
sem rumo,
sem nenhum itinerário.
O destino de quem ama
é vário,
como o trajeto do fumo.

Minha canção vai comigo.
Vai doce.
Tão sereno é seu compasso
que penso em ti, meu amigo.
- Se fosse,
em vez da canção, teu braço!

Ah! mas logo ali adiante
- tão perto!-
acaba-se a terra bela.
Para este pequeno instante,
decerto,
é melhor ir só com ela.

(Isto são coisas que digo,
que invento,
para achar a vida boa...
A canção que vai comigo
é a forma de esquecimento
do sonho sonhado à toa...)"

{imagem: Michael Anderson}

Retrato natural


"Aqui está minha vida - esta areia tão clara
com desenhos de andar dedicados ao vento.

Aqui está minha voz - esta concha vazia,
sombra de som curtindo o seu prórpio lamento.

Aqui está minha dor - este coral quebrado,
sobrevivendo ao seu patético momento.

Aqui está minha herança - este mar solitário,
que de um lado era o amor e, do outro, esquecimento."
{imagem: Novic Arman Zhenikeyev}

Desapego

" A vida vai depressa e devagar.
Mas a todo momento
penso que posso acabar.
Porque o bem da vida seria ter
mesmo no sofrimento
gosto de prazer.
Já nem tenho vontade de falar
senão com árvores, vento,
estrelas, e águas do mar.
E isso pela certeza de saber
que nem ouvem meu lamento
nem me podem responder."
{imagem: Axel Bueckert}

Solombra


"Falar contigo. Andar lentamente falando
com as palavras do sono ( as da infância, as da morte).
Dizer com claridade o que existe em segredo.

Ir falando contigo, e não ver mundo ou gente.
E nem sequer te ver - mas ver eterno o instante.
No mar da vida ser coral de pensamento.

Felicidade? Não. Voz solene. Entre nuvens,
seta sempre constante à direção remota:
Nascimento? Vontade? Intenção? Cativeiro?

Humildade de amar só por amar. Sem prêmio
que não seja o de dar cada dia o seu dia
breve, talvez: límpido, às vezes, sempre isento.

Ir dando a vida até morrer."
{Imagem: Tim Flach}

Canção Mínima

"No mistério do sem-fim
equilibra-se um planeta.
E, no planeta um jardim,
e, no jardim, um canteiro;
no canteiro uma violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,
entre o planeta e o sem-fim,
a asa de uma borboleta. "
{imagem: Reynaldo Monteiro}

Canção

"Pus meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para meu sonho naufragar.

Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.

O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...

Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e meu navio chegue ao fundo
e meu sonho desapareça.

Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas coordenadas,
meus olhos secos como pedras
e minhas duas mãos quebradas."
{imagem: Gabriele Rigon}

Motivo


"Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou se desfaço,
- Não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno e asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada."
{imagem: Marc Adamus}

Timidez


"Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve...
— mas só esse eu não farei.
Uma palavra caída
das montanhas dos instantes
desmancha todos os mares
e une as terras mais distantes...
— palavra que não direi.
Para que tu me adivinhes,
entre os ventos taciturnos,
apago meus pensamentos,
ponho vestidos noturnos,
— que amargamente inventei.
E, enquanto não me descobres,
os mundos vão navegando
nos ares certos do tempo,
até não se sabe quando...
— e um dia me acabarei."

Aprendi


"Aprendi com as Primaveras a me deixar cortar para poder voltar sempre inteira."